- Droga! – disse Paulo assim que acordou – Estou atrasado.
Ele era um homem alto,moreno,cabelos negros e com olhos marcantes. Era diretor de uma empresa de grande porte e todas as manhãs ele estava, pontualmente, às 8:00 horas em sua sala. Mas naquela manhã tudo parecia estar contra ele. Sua empregada não estava, cortou-se fazendo a barba, deixou a camisa queimar com o ferro de passar e, como se não bastasse, estava atrasado. Para que nada mais desse errado, ele decidiu que iria tomar seu café no caminho do trabalho. Entrou em seu carro. Andou alguns metros, mas todas as lanchonetes pareciam estar lotadas menos uma, que era bem simples. “Vai ser nessa mesmo. Compro meu café e vou comendo enquanto dirijo.” – pensou Paulo.
Saiu de seu carro, dirigiu-se até a porta da lanchonete e a abriu. Foi ao balcão fazer seu pedido, quando foi surpreendido por Carla, uma ruiva de olhos mel e uma voz muito doce. Paulo ficou embriagado diante de tanta beleza.
- Bom dia,senhor! O que deseja? – disse Carla
- Um café bem forte, por favor!
- Trago em um segundo. – respondeu ela
Em pouco tempo, Carla retornou. Paulo, por sua vez, mudou de idéia e resolveu tomar seu café ali mesmo. Enquanto saboreava o café, observava Carla em seus afazeres. De repente, ela parou em frente a Paulo. Ele, sem perder tempo, puxou assunto.
- Como você se chama? – disse ele
- Carla. Por que? – respondeu ela
- Por nada. Apenas queria saber se o seu nome é tão belo como você.
Carla se sentiu tímida nesse momento e abaixou a cabeça, tentando esconder seu rosto.
- Não precisa ficar com vergonha. Eu só disse o que eu penso. Você trabalha aqui a muito tempo? – continuou Paulo
- 5 meses. – respondeu
E, assim, eles continuaram a conversar. Paulo parecia ter esquecido totalmente do seu trabalho e Carla aos poucos ia perdendo a sua timidez. Quanto mais conversavam, mais descobriam coisas e mais coisas em comum. Carla realmente estava adorando conversar com Paulo, assim como ele. E, depois de tanto conversar, ele tomou coragem e perguntou:
-Carla, você gostaria de sair comigo?
Ela pensou por alguns segundos e respondeu:
- Sim. Pode ser na sexta às 20:00 horas?
- Tudo bem.
- Me pega aqui no meu trabalho.
- Ok. Agora preciso ir. Estou super atrasado para o trabalho.
Os dois se despediram, trocaram telefone e Paulo saiu. Carla ainda ficou observando o carro dele virar a esquina.
Naquela mesma noite, ao chegar em casa, Paulo decidiu ligar para Carla, afinal passou o dia todo pensando nela. Ele precisava ouvir aquela voz doce novamente.
Passaram horas conversando, o assunto parecia não ter fim, até que o cansaço venceu os dois. Se despediram e desligaram. Paulo pensou em, todas as manhas, ir até Carla, mas achou q seria pressão demais, então recostou-se em sua cama e dormiu pensando no dia em sairia com a mulher mais bela que já encontrara.
Dias depois...
- Mal posso crer que hoje eu irei encontrar a mulher da minha vida!! – disse Paulo ao levantar-se da cama
Tomou um banho e dirigiu-se a sala. Seu café da manhã já estava pronto, porém ele preferiu ir até sua amada e vê-la mais uma vez antes de se encontrarem. Na companhia de Carla, ele tomou seu café e confirmou o encontro. Despediu-se dela com um simples beijo em seu rosto e seguiu seu caminho rumo ao trabalho.
Mais tarde, ao se encontrarem, Paulo a levou a um belo restaurante para que pudessem conversar um pouco. Alguns minutos se passaram e ele percebeu que Carla não estava muito à vontade naquele lugar.
- Algum problema? Deseja ir a outro restaurante? – perguntou a ela.
- Poxa, posso te levar a um lugar, onde eu me sentiria muito melhor?
- Claro. – naquele momento qualquer lugar seria bom ao lado de tão bela mulher.
Os dois entraram no carro, rodaram durante alguns minutos e Carla pediu que ele parasse em uma praça muito simples, com um belo chafariz ao centro. Saíram do carro. Carla caminhou um pouco e sentou-se em um dos bancos.
- Aqui eu sinto que eu posso ser eu mesma. – disse ela.
Conversaram por um tempo. Não contendo sua ansiedade, Paulo a olhou nos olhos e a beijou. Como ela ficava mais bonita com a pele rosada e o rosto tomado por uma timidez inocente. Levantaram-se e ficaram a beira do chafariz. Por muitas vezes se olharam com carinho e, abraçados, passaram mais alguns minutos ali.
- Tenho que ir. Já está tarde! – disse Carla não querendo sair dali
- Bom, vamos, então. Eu te levo.
Com o coração na mão de ter que deixar sua amada, Paulo a levou até a porta de sua casa. Como um bom cavalheiro que era, saiu do carro, abriu a porta para ela, levou-a até a entrada de casa e despediu-se com um enorme beijo.
E, assim, seguiram-se vários encontros. Anos se passaram e os dois já estavam noivos (com data de casamento marcada e tudo). Um ano após, casaram-se. Tiveram dois filhos, um casal. A vida dos dois parecia perfeita, porém os anos foram se passando, os filhos crescendo e Paulo cada vez mais ausente. Ele estava trabalhando tanto que esquecia da família e aquilo deprimia Carla, que não agüentava mais passar todo tempo sozinha dentro de uma casa tão grande. Paulo já não era mais o mesmo. Dava de tudo para que ela e os filhos tivessem uma vida maravilhosa, mas isso não era suficiente. Carla estava infeliz.
Em uma noite, Paulo chegou muito tarde, como sempre. Carla já estava deitada. Ele se aproximou lentamente, tirou suas roupas, tomou um banho e deitou-se ao lado de sua esposa. Estava muito cansado e dormiu rápido.
O dia amanheceu e Carla logo acordou. Olhou para o lado. Paulo dormia um sono pesado. Levantou-se, abriu a gaveta de seu criado mudo, puxou um papel e uma caneta e começou a escrever. Colocou o papel em cima do travesseiro e saiu.
De repente, ouve-se um estrondo. Paulo levantou-se assustado. O mundo parou naquele momento. Ele olhou para o lado, viu o papel, que estava umedecido pelas lágrimas de Carla:
“Paulo,meu amor,
jóias,roupas,carros. Uma vida de luxo nem sempre é suficiente quando o principal está em falta: amor,carinho,atenção. Quero que saiba que onde eu estiver sempre vou te amar!
Com amor,
Carla
Paulo levantou-se e correu em direção ao seu escritório. A porta estava aberta, e Carla caída atrás da mesa com sua arma nas mãos. Sem poder ser conter, ele chorou desesperadamente. Seu corpo estremeceu e ele caiu de joelhos próximo a Carla. Em suas mãos, o bilhete deixado por ela.
Horas depois, a governanta da casa entra e se depara com Paulo e Carla caídos ao pé da mesa. Ambos cobertos por sangue. Paulo abraçado a Carla e, em suas mãos, a arma.
Anos se passaram, quando o neto de Paulo e Carla brincava no porão daquela mesma casa. Mexendo em coisas do passado, ele acha uma pequena caixa de madeira. Nela, havia o bilhete deixado por sua vó anos atrás e um outro papel abaixo, dobrado, como se o estivessem escondendo. Abriu-o e leu:
Carla,minha amada,
sei que não fui o melhor dos maridos, mas nunca deixei te amar. Saiba que onde estiver, estarei com você.
Te amo,
Paulo
Diante de tamanha declaração, o neto do casal, sem nem ao menos perceber, deixou uma lágrima rolar pela sua face.

1 comentários:
Belo post, é importante ressaltar o amor em si, cuidar e amar sempre mesmo depois de anos de convivencia e desgaste de uma relação, viver nos detalhes para que cada pequena situação tenha o devido valor e atenção. Aguardando o proximo post, beijos!
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